Uma borboleta feneceu hoje. Bosquejou o seu último bater de asas e desabou sobre a terra seca. O seu vigor já enlanguescia fazia muito. Tombou apática, moribunda. As consequências foram caóticas. Uma mãe de filho único padeceu do egresso tresloucado desse. Outra, de primeira viagem, embevecia-se com o pranto da sua criatura recém-chegada. Um ancião em seu leito derradeiro lamentou a vida pretérita e preterida. Outro, acostado no banco do parque, testemunhava o seu neto correr eximido de qualquer preocupação.
Este silêncio cabal agoniza a minha audição e faz os meus ouvidos sibilarem. Volteio devagar o meu corpo e nada mais que este mar de lápides me circunda. Vejo que o tempo não cessou, nem por um segundo, a sua marcha belicista.
Faz frio; a brisa traspassa a minha pele e enrijece os meus pelos. Insolitamente, o vento se mantém taciturno, assim como o meu peito. Pressiono a minha mão sobre o lado esquerdo e sinto um mutismo pleno.
Esqueci-me de como é estar vivo, ou quiçá nunca o soube. Tal acepção perdura enigmática.
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