o veneno do escorpião exala dos meus poros.
Os corpos cedem à minha preponderância.
Toda carne sucumbe ao meu encanto,
cada osso vibra com o meu toque.
Vim, vi e provoquei gozo reiteradamente.
O meu magnetismo afronta as leis naturais.
Com as minhas mãos suscito erupções vulcânicas.
Descarrego virilidade por condutores de prata.
Contudo, a minha concupiscência é inexorável.
O seu desdém me apoquenta, mas, também,
atiça o meu ardor.
Quando porá fim a esta perversidade?
Negar-me é sufocar o anseio no abismo do inconsciente;
é reprimir pulsão primária e cerrar os olhos para a verdade;
é racionalizar com argumentos desatinados e vãos.
Observe o seu reflexo:
todo o seu corpo delata a libido efervescida;
suas pupilas avolumadas me ambicionam.
Renda-se a este mar de incontinência.
Prometo abeberar o seu anelo mais rutilante.
Resplandecer a luz do sol poente.
Efemerizar a chaga do universo...