O tempo corre desatinado. Último abraço, penso. Tento perpetuá-lo. E se for o último? Engulo em seco ante a tal hipótese desgraçada.
Distancio-me hesitante, fixado nos seus olhos castanhos escuros. Observo a sua expressão facial, que parece dizer: por favor, não vá. As circunstâncias não me permitem cogitar outro porvir.
Encontro tempo para mais um abraço; esse, mais estreitado, mais saudoso, mais pungente. Mantenho meus lábios selados por receio de verter lágrimas; os seus também permanecem assim. Palavras não nos servem.
Distancio-me mais uma vez e me insiro na fila. À medida que caminho, olho por cima dos meus ombros e a vejo apequenando-se. Penso no meu coração, que o deixo aos seus cuidados, como caução da minha revinda. Cessam os estímulos visuais, e parto com as lembranças e a melancolia.
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