A paisagem não me é estranha. O tanto que observei as fotos, sinto, agora, que caminho pelas ruas da minha meninice. Não sou um turista, mas um filho bastardo que fugiu, ainda criança, da malquerença de sua madrasta, e retorna depois de grande.
Eu, conquistado pela contingência de um amor sempiterno, evado do meu conforto erosivo, defronto as intempéries e enfermidades, e saio em procura de um mundo que me permita ser.
Com os pés arraigados ali, na esquina, sinto na pele os minutos mordazes. Todos os rostos passam inexpressivos, todos eles me parecem vãos. Meu peito se manifesta inconhecível, minhas mãos úmidas denotam o medo de um futuro controverso.
Após uma boa porção de angústia, minha tenacidade se revela frutuosa. Um rosto se põe em evidência e se acerca em toda sua angelitude. Nota-se que o desassossego é recíproco, e o beijo apressurado fora premeditado. Somos transmutados em crianças, e somos melhores amigos no jardim de infância; desfrutamos, ali, em sua plenitude, do melhor átimo de nossa existência.
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