quarta-feira, 11 de maio de 2016

Erotismo empanado

Tenho uma declaração a proclamar: perdi o meu encalço em seus contornos concordes. Perfiz uma curva sinuosa e me vi apaixonado pela sua geometria. Recorri, genuflexo, aos mais célebres cartógrafos em busca de um itinerário; "inconcebível", assegurou Canabrava.

Com pupilas engrandecidas, tive a minha visão turvada por névoa. Um olor de jasmim me conduzia pelo seu campo florescente, como uma isca numa ratoeira enfeitiça um mísero roedor. Defronte a tão cobiçoso fruto, deleitei-me de um sonho materializado; ah! Que mais doce quimera!

O meu peito bailava um Tango Argentino num ritmo vertiginoso. Não me importava; que fosse o meu réquiem! Eu era um escravo que atravessara o deserto, sequioso. Das suas fontes brotavam água imaculada, e dela bebi à saciedade.

Àquele instante, transfigurei-me em seu títere. Enquanto a sua índole tirânica se aprazia, a minha libido infame alçava os céus.

A despeito do meu constrangimento, relato o epílogo desta aventura lacônica: um relâmpago inopinado foi lançado; desfaleci. A sua gargalhada, diante ao meu demérito, ficou entalhada em minha memória e para sempre reavivada.

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