quarta-feira, 18 de maio de 2016

Segunda partida

A hora fúnebre se acerca outra vez. As cores se ofuscam em linguagem prostrada que desafoga o coração sucumbido. Elas se renegam com um pavor obscuro e fogem à medida que a luz se definha.

A vida distópica, que se havia outorgado um hiato de letargia, repossui os meus sentidos a passos brandos, que depois aceleram e mascam o meu consciente.

Eu dou as costas, e os meus sentidos tartamudeiam e desvanecem o viço. Um espectro nas entranhas dos meus neurônios, contudo, insufla batidas alquebradas no meu órgão torácico; por alguma razão ignota, esta peleja ainda abrasa o meu sangue.

Desperto-me de um reconto musical para dentro de um sonho kafkiano. Não há dor tão excruciante quanto a dor inventada.

Debaixo de cada metáfora, de cada sinestesia jaz absconso outras figuras que, por sua vez, dissimulam o rumo de toda palavra minha. Elas não são proferidas tencionando assimilação. Elas desabrocham naturalmente da autocomiseração. Tudo é hermético quando a mente não reaviva memórias...

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